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Jogando em equipe
“Entrem pela porta estreita, porque é larga a porta e
espaçoso o caminho que levam para a perdição, e são muitos os que
entram por ela! Como é estreita a porta e apertado o caminho que
levam para a vida, e são poucos os que a encontram”.
(Mt 7,13-14)
Não importa a idade! Nunca é tarde para aprender, por isso, eu
também estou aprendendo a jogar video-game. É emocionante, um
verdadeiro desafio. Não é fácil sair como vencedor, pois os
obstáculos e as dificuldades são enormes. O adversário deste jogo
é habilidoso e inteligente; na verdade, eu diria que ele é mais do
que isso, ele é astuto.
As regras do jogo até que são simples, basta ler o manual para
entender o objetivo. Explico: um grande número de bichinhos
virtuais anda de um lado para o outro, à procura de um caminho a
seguir. Ao redor, dezenas de saídas levam a labirintos. A maioria
destes caminhos leva para abismos e os bichinhos que por eles
seguem, acabam morrendo. No trajeto, monstros virtuais,
disfarçados de amigos e guias estão à espreita para abocanhar e
enganar os menos avisados.
O jogador então, para sair vencedor, deve cumprir seu objetivo que
é salvar o maior número possível de bichinhos. No entanto, o
jogador não pode arrastá-los sem o seu consentimento. Deve
dialogar, argumentar até convencê-los. Feito isso, deve guiá-los,
pelo único caminho certo existente e levá-los, sãos e salvos, até
um local seguro, onde não correm nenhum risco.
Achar o caminho certo é o maior desafio. Aquele que aparenta ser o
mais fácil, é o que mais monstros tem. Entre tantos caminhos, é
difícil descobrir o verdadeiro.
O objetivo do adversário é atrapalhar. A fim de ganhar os
bichinhos e levá-los à destruição, tenta iludi-los com uma série
de atrativos. Põe em dúvida nossas palavras e mostra caminhos
largos, fáceis, asfaltados e providos de todo conforto. O problema
é que no fim dessa estrada nada existe, além de abismos e um poço
profundo.
Após ler por diversas vezes o manual de instruções, descobri que o
caminho certo é tortuoso, estreito, cheio de encruzilhadas e
atalhos tentadores. Nessa estrada o pedágio é pago com renúncias e
sacrifícios.
Depois que encontrei o verdadeiro caminho, ficou mais fácil
convencer os bichinhos. Por diversas vezes consegui superar a
inteligência e a astúcia do adversário e até ganhei algumas
partidas. Alguns bichinhos confiaram em minhas palavras, seguiram
o caminho certo e salvaram-se. Escaparam dos monstros e chegaram a
um lugar maravilhoso, com muito verde, flores, frutos e rios de
águas cristalinas. Porém, uma coisa me preocupa. Enquanto alguns
bichinhos conseguem chegar vivos, milhares de outros morrem
trilhando caminhos errados. Enquanto o jogador acode alguns, o
adversário arrebanha dúzias.
Uma coisa já aprendi: sozinho é impossível ganhar credibilidade,
mostrar a verdade e apontar o caminho certo. Só a união poderá
vencer o astuto.
Para superar o adversário, é preciso jogar em equipe. Ler e reler
o manual, entender as regras, falar, ensinar, desmascarar o deus
virtual e apresentar aos “bichinhos”... o Deus Real.
Jorge Lorente – 25/junho/2007
O Dom da Tolerância
Jesus disse: "Vocês são meus amigos, se fizerem o que eu
estou mandando. Eu já não chamo vocês de empregados, pois o
empregado não sabe o que seu patrão faz; eu chamo vocês de amigos,
porque eu comuniquei a vocês tudo o que ouvi de meu Pai. Não foram
vocês que me escolheram, mas fui eu que escolhi vocês. Eu os
destinei para ir e dar fruto, e para que o fruto de vocês
permaneça. O Pai dará a vocês qualquer coisa que vocês pedirem em
meu nome. O que eu mando é isto: amem-se uns aos outros." (Jo
15,14-17)
Com a renúncia de uma catequista de nossa comunidade, por alguns
dias, seus alunos foram dispensados da catequese. Certamente ela
sabia da sua importância para a comunidade, em particular para
aquelas crianças, mas mesmo assim, decidiu abandonar suas
atividades. Diante de sua recusa em voltar, nosso pároco reuniu o
Conselho Paroquial e solicitou que saíssemos a procura de alguém
que a substituísse. Foi enorme a minha surpresa quando conheci o
novo voluntário. Coincidência ou não, mas a verdade é que o novo
catequista chama-se Matias.
Só para lembrar, Matias é o apóstolo que teve o grande privilégio
de ser agregado aos onze, tomando o lugar vago deixado por Judas
Iscariotes. Foi o substituto de Judas para cumprir a difícil
missão apostólica que Jesus havia planejado para os seus
discípulos. Haviam dois candidatos ao cargo: José, filho de Sabá,
chamado o Justo e Matias que, em hebraico quer dizer "dom de
Deus". Matias foi o escolhido para colaborar no Grande Projeto de
Salvação da humanidade. O nome de Matias só aparece na Sagrada
Escritura no instante da eleição e sabemos que estava presente no
cenáculo onde viveu com os onze, juntamente com Maria, a mãe de
Jesus, a maravilhosa experiência de Pentecostes. (At 1,12-26)
O pouco que sabemos a respeito de Matias, é o suficiente para
reforçar a verdade contida nestas palavras: "Muitos serão
chamados, porém poucos os escolhidos".
Nosso Pai poderia fazer tudo sozinho, mas preferiu contar com
nossa ajuda. Como prova de amor, nos convida a assumir. Somos
convidados especiais porém, convém lembrar que não somos
insubstituíveis. Se não aceitarmos, se não cumprirmos a tarefa,
certamente outro será convidado para executá-la. Tolerância é um
dom que parece ter caído em desuso no mundo atual. Sabemos que não
é fácil viver em comunidade, mas é preciso tolerância, pois não
existe nada mais triste do que observar alguém fazendo nosso
trabalho. Isso traz uma sensação de rancor e, até mesmo de inveja.
Parece que estamos sendo roubados. Por tudo isso não podemos, de
forma alguma, jogar fora a oportunidade de reconciliação que Deus
nos oferece, talvez seja a última dentro do tempo que nos resta.
A boa notícia de hoje encontramos nestas Palavras: "Não foram
vocês que me escolheram, mas fui eu que escolhi vocês". Deus nos
escolheu a dedo para apresentá-lo ao mundo. Matias foi escolhido
para compor o grupo através de sorteio, porém não podemos contar
com a sorte para ganhar o Paraíso. A Glória Celeste não é fruto da
sorte, ela é conquistada com base nos frutos produzidos.
(Jorge Lorente – 08/maio/2007)
O Esconderijo da felicidade
“Ó homens, até quando vocês ultrajarão minha honra, amando o
nada e buscando a ilusão? Muitos dizem: ‘Quem nos fará ver a
felicidade?’ Levanta sobre nós, Senhor, a luz da tua face!” (Sl
4,3.7)
Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança. No
entanto, uma antiga lenda diz que os anjos do céu não concordaram
com essa idéia de Deus, e fizeram algumas propostas de mudanças.
- Não podem ser criados exatamente como nós - diziam os anjos -
não podem ter a mesma força, poder e inteligência. Não convém
arriscar, pois eles ainda deverão passar por testes de santidade
na terra. Não sabemos como irão se comportar, por isso é melhor
tirar-lhes alguma coisa para torná-los diferentes de nós. Se
seguirem os ensinamentos e tiverem um bom comportamento, aí sim,
receberão de volta o que lhes for tirado.
- Mas, tirar o quê? - se perguntavam. Tinha que ser algo
representativo e valoroso. Começaram então as sugestões. Depois de
muitas propostas, decidiram que o melhor seria tirar-lhes a
felicidade, pois era essa a coisa mais valiosa que poderiam
possuir. O grande problema, no entanto, era onde esconder a
felicidade para que não fosse facilmente encontrada.
- Vamos escondê-la no alto do Monte Everest, onde só chegam as
águias -disse um anjo.
- Não adianta - respondeu o outro - eles sentirão inveja dos
pássaros e tentarão imitá-los. Não descansarão enquanto não
estiverem por cima de tudo e de todos, portanto, mais cedo ou mais
tarde, conseguirão escalar as montanhas e encontrarão a
felicidade.
- Então vamos escondê-la no fundo do mar, onde só os peixes podem
chegar!
- Nem pensar, como seres inteligentes, logo, logo, estarão criando
alguma máquina que os fará submergir ao fundo dos oceanos onde,
certamente, irão encontrá-la.
- Quem sabe se a escondermos num planeta bem distante...a lua, por
exemplo.
- Também não seria o melhor lugar. Curiosidade e ambição é o que
não vai faltar para esses humanos. Portanto, eles não pouparão
esforços para quebrar a barreira do som, construir mísseis e
foguetes. Gastarão fortunas para conquistar o espaço e,
fatalmente, encontrarão na lua ou em outro planeta, essa tal
felicidade.
Depois de muita discussão, sem chegarem a nenhuma conclusão, um
anjo exclamou:
- Tive uma idéia sensacional! Já sei onde poderemos esconder a
felicidade! É um lugar que eles nunca descobrirão!
- Onde!!?? Indagaram todos, ao mesmo tempo.
- Colocaremos a felicidade dentro deles. Este é o melhor lugar
para mantê-los distantes dela. Com certeza, todos irão procurá-la
nas grandes fortunas, em luxuosos condomínios, em finas jóias e em
automóveis de luxo. Estarão tão preocupados em buscá-la do lado de
fora de si mesmos e em locais distantes, que nunca a encontrarão.
Todos os anjos concordaram com a idéia e assim foi feito: a
felicidade ficou escondida.
Segundo a lenda, de lá para cá, as pessoas passam a vida toda
buscando a felicidade nos mais diversos lugares, longe de si
próprios, sem perceber que a trazem consigo.
Eu então, me pergunto: - Diante desta realidade, tão comum em
nosso dia-a-dia, será mesmo esta história uma lenda?
(do livro Se o amor cresce, o mal desaparece – Jorge Lorente)
24/março/2007
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